CARTA A DEUS I

    Olá Deus!
    Já faz um longo tempo em que lhe escrevo palavras sinceras de sua existência em mim. Quando andava com os discípulos em Emaús, não foram capazes de perceber-te em primeiro momento, muito andaram e ouviram suas palavras, para que compreendessem sua presença, quem dera poder sentar-me a mesa para ouvir-te falar como fez Maria, e servir-te como Marta. Os caminhos da vida, nem sempre são os mais simples, ou permitem ver-te com facilidade, o sofrimento esta tão presente, ao ponto que a esperança convive constantemente com tudo aquilo que se apresenta a mim. 
    Enquanto andavam junto a voz suas palavras acalentavam o coração, davam de certo modo o animo que os animaria no decorrer de suas vidas, aquela alegria, a felicidade que compartilhariam, esta veio de voz, da sua presença, da relação que teve com a humanidade, com sua morte e ressureição. Quem dera ter tanta fé para escrever-te palavras de beleza, permeio melhor pelo sofrimento que carrego, as pedras que tropecei e as encruzilhadas que decidi por onde andar, todas essas não encontrei, dados para tirar a sorte, nem biscoitos com mensagens, mais sim, a consciência. 
    Acredito pela fé, busca pelo anseio do coração que busca o auxilio no mistério, pois é somente isso que alivia os questionamentos, ou ira dizer que a eternidade da ressureição da carne é simples ser aceita e compreendida pelos olhos da razão, há homem que tenha decido aos infernos e retornado para contar, ou corpo que tenha sido consumido pelos vermes, que retorne a existência? Deus, existem muitas duvidas estas quais, desisto de responder, cabe ao homem que do barro foi feito, ir de encontro ao silêncio, debruçar-se na caminhada, mesmo que sem saber quem caminha comigo, mais deixando o coração ser acalentado pelas palavras que consolam as duras penas da vida.
    Caro Deus, me despeço não confiante nas respostas que encontrei no silêncio da noite, a somente suspiros misteriosos, a nada mais nada menos que sombras da escuridão que cobrem aquilo que é real aos olhos. Na angustia lhe apresento meu coração, seja você consciente ou não, misericordioso ou carrasco, vivo ou morto, posso escrever a um morto velado eternamente como vivo, ou simplesmente estar respondendo ao anseio do íntimo que transmite sua existência ao meu mistério pessoal. 

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