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DESCASO

     Todos os caminhos levam a Roma.      Nenhum caminho a lugar nenhum!     O fim não buscaríamos!      Na  esperança, tumor contínuo.     As palavras repetem e repetem!     São garantias que não mora só.     O que é sempre declínio!        Coragem guarda-la quando devido.     Os sinos tocam é hora de Cristo!     Anda, anda é chegada a hora.     Desprovido suspira, o peito desfalecido!     Na reverencia do soldado, sem questionamento.     Não queira entender o passado, nem entoar o futuro.     É chegada a hora do descanso!     Em lágrimas deixo o campo de batalha.     Sem questionamento esqueço!     Um ditado popular, quer fazer seguir.     A realidade faz sofrer em cada sentimento!     Enquanto me consolo, reverencio o destino.     Dando ao espírito seu ultim...

The End

      O que o tempo espera para a vida, para a nossa própria vida? Quem sabe queiramos responder perguntas, conhecer pessoas ou enriquecer. Quem sabe queiramos somente olhar para toda essa confusão e agradecer.       Não se pode predestinar o fim, é somente um acidente da condição humana, um sofrimento que acolhemos no íntimo do seio da humanidade, pois, em cada ato, em cada gesto as imagem dos momento são gravadas e guardadas na lembrança.     O tempo é está construção de imagens, esse emaranhado de momentos, em que desfrutamos de verdadeiros encontros, de verdades que são experienciadas, de sonhos que são realizados. Falem ou chorem, a existência é esta confusão.     Mesmo o olhar atento do sábio ao mundo, é preciso reconhece que não há como fazer tudo, apaixonar-se sempre, estar feliz ou conservar quem amamos todo o tempo. É nesta pequena centelha que uma única certeza se apresenta, a vida se vê pelo seu fim.   Sabemos ...

Verbo amar

Quem dera fosse fácil amar. Tem vezes que amar é tão intenso, em outros, é silêncioso como o mar aberto. Mas, como a tempestade, vem com força e trovõadas. Tem vezes que é desesperador, dá uma vontade louca de fugir dos braços de quem amamos; outras vezes, não vejo a hora de ser consolado por beijos e abraços. Já vi amores de muitas formas, porém só vivi os meus com pessoas que romperam o medo que carrego. Talvez, quem sabe, devesse ser sincero e falar o quanto sou fraco para amar. Na verdade, não é que saio a enamorar-me por outras mulheres ou a cair em devaneios, Mas em estranhar a vida como algo novo todos os dias. É preciso reconhecer: amar é sentir saudades, é querer estar na mesma mesa, com os mesmos pratos e sabores de sempre, pois ali é um lugar onde me sinto seguro. Não quero dizer que o novo é ruim, que o diferente deve ser excluído. É somente que esses detalhes são importantes, pois guardam as recordações da minha história. Não quero qu...

Ao Destino

     Em um mundo em que não controlamos nem mesmo o que desejamos — onde tudo o que imaginamos querer não deixa de ser um mero impulso de sobrevivência — podemos considerar que  é uma confusão querer existir. Não há motivo para a vida, nem mesmo algo realmente valioso que nos faça continuar, a não ser a ideia de que desistir seja uma resposta muito singela a tudo isso. Mesmo considerando o destino um conjunto de acasos sem a menor sincronia, é preciso abraçar a ideia dos inúmeros mundos possíveis que criamos a cada escolha.      Viajar pelo mundo, ir ao espaço, quem sabe até recitar um belo poema. Na verdade, o destino tornou-se um mundo desconhecido para o sujeito: por mais que ele possa imaginar possibilidades, meu caro amigo, nada disso é eternamente verídico. Os lapsos do tempo em que vivemos são somente uma pequena consequência evolutiva que, no melhor dos casos, faz com que desejemos muitas coisas, busquemos relações e choremos pela falta de que...

O Amor do Vazio

Há um instante na vida em que o sentido se dissolve. Na dúvida que se ergue, tentando acertar a direção, surge o apavoro. A angústia quer mover o coração, mas ele pulsa sem rumo. E, quando o caminho se perde, no brilho sombrio encontramos o amor do vazio. O vácuo entre o real e o imaginário é um corte, uma junção de temores que molda o espírito em Prometeu, prisioneiro de sua própria liberdade. O desejo de mudança parece chama eterna, mas é só lampejo — breve clarão antes da repetição das mesmas sombras. Nada no mundo escapa à corrupção dos devaneios, nem aos quereres disfarçados de misericórdia. E quando tocamos o fundo do poço, o destino se vira. Não é retorno — é travessia ao seu oposto. Basta ao homem um único suspiro, antes que, por um beijo, ele se perca no doce e irremediável devaneio.

Cântico da Vida Persistente

Mas o que seria eterno, senão a ilusão? Tudo é passageiro, neblina e chão. O início? Apenas um fim disfarçado, Com hora marcada, destino traçado. Pensamos ter o tempo em nossas mãos, Mas ele escapa como grãos vãos. A consciência revela — o fim não cessa, É um contínuo ciclo, que nunca adormece. O amor, semente em solo profundo, Persiste, molda-se ao giro do mundo. Mas as relações, frágeis como o vento, Nem sempre resistem ao esquecimento. Se o amor se curva ao tempo que gira, Pode o homem perder sua própria mira. E resta, então, a única certeza: A vida, em sua eterna natureza. Pois mesmo quando cessa o respirar, Ou as folhas se recusam a dançar, A vida segue, em forma ou em ausência, Persevera além da consciência. A vida é sopro que se eterniza, Movimento sutil que se imortaliza. É o que há no instante contido, Na eternidade de um gesto vivido.

Cântico da Queda das Formas

Tudo que existe, um dia se desfaz, Deixa a moldura, rui o que era paz. A forma antiga, outrora imponente, Transforma-se em sombra, silêncio latente. Eterna é a dança da transmutação, Onde até deuses perdem o trono e a mão. O que se ergue em glória, em glória desce, E o que domina, ao pó enfim regresse. O "eu" que brada ser mais que outro ser, Perde sua voz ao se desfazer. A máscara cai, a carne se curva, O tempo consome, a essência turva. O orgulho — chama breve do vazio — Arde, depois sucumbe ao próprio frio. O narcisismo, espelho de ilusão, Estilhaça ao toque da mutação. Potências vastas, reinos sem medida, Não escapam à queda já contida. Tudo que sobe, a Terra há de chamar, E ao ventre antigo há de retornar. Nada há de eterno, salvo o momento Em que se move o eterno movimento. Não o que é fixo, mas o que se esvai É que revela o que de fato vai.