Postagens

The End

      O que o tempo espera para a vida, para a nossa própria vida? Quem sabe queiramos responder perguntas, conhecer pessoas ou enriquecer. Quem sabe queiramos somente olhar para toda essa confusão e agradecer.       Não se pode predestinar o fim, é somente um acidente da condição humana, um sofrimento que acolhemos no íntimo do seio da humanidade, pois, em cada ato, em cada gesto as imagem dos momento são gravadas e guardadas na lembrança.     O tempo é está construção de imagens, esse emaranhado de momentos, em que desfrutamos de verdadeiros encontros, de verdades que são experienciadas, de sonhos que são realizados. Falem ou chorem, a existência é esta confusão.     Mesmo o olhar atento do sábio ao mundo, é preciso reconhece que não há como fazer tudo, apaixonar-se sempre, estar feliz ou conservar quem amamos todo o tempo. É nesta pequena centelha que uma única certeza se apresenta, a vida se vê pelo seu fim.   Sabemos ...

Verbo amar

Quem dera fosse fácil amar. Tem vezes que amar é tão intenso, em outros, é silêncioso como o mar aberto. Mas, como a tempestade, vem com força e trovõadas. Tem vezes que é desesperador, dá uma vontade louca de fugir dos braços de quem amamos; outras vezes, não vejo a hora de ser consolado por beijos e abraços. Já vi amores de muitas formas, porém só vivi os meus com pessoas que romperam o medo que carrego. Talvez, quem sabe, devesse ser sincero e falar o quanto sou fraco para amar. Na verdade, não é que saio a enamorar-me por outras mulheres ou a cair em devaneios, Mas em estranhar a vida como algo novo todos os dias. É preciso reconhecer: amar é sentir saudades, é querer estar na mesma mesa, com os mesmos pratos e sabores de sempre, pois ali é um lugar onde me sinto seguro. Não quero dizer que o novo é ruim, que o diferente deve ser excluído. É somente que esses detalhes são importantes, pois guardam as recordações da minha história. Não quero qu...

Ao Destino

     Em um mundo em que não controlamos nem mesmo o que desejamos — onde tudo o que imaginamos querer não deixa de ser um mero impulso de sobrevivência — podemos considerar que  é uma confusão querer existir. Não há motivo para a vida, nem mesmo algo realmente valioso que nos faça continuar, a não ser a ideia de que desistir seja uma resposta muito singela a tudo isso. Mesmo considerando o destino um conjunto de acasos sem a menor sincronia, é preciso abraçar a ideia dos inúmeros mundos possíveis que criamos a cada escolha.      Viajar pelo mundo, ir ao espaço, quem sabe até recitar um belo poema. Na verdade, o destino tornou-se um mundo desconhecido para o sujeito: por mais que ele possa imaginar possibilidades, meu caro amigo, nada disso é eternamente verídico. Os lapsos do tempo em que vivemos são somente uma pequena consequência evolutiva que, no melhor dos casos, faz com que desejemos muitas coisas, busquemos relações e choremos pela falta de que...

O Amor do Vazio

Há um instante na vida em que o sentido se dissolve. Na dúvida que se ergue, tentando acertar a direção, surge o apavoro. A angústia quer mover o coração, mas ele pulsa sem rumo. E, quando o caminho se perde, no brilho sombrio encontramos o amor do vazio. O vácuo entre o real e o imaginário é um corte, uma junção de temores que molda o espírito em Prometeu, prisioneiro de sua própria liberdade. O desejo de mudança parece chama eterna, mas é só lampejo — breve clarão antes da repetição das mesmas sombras. Nada no mundo escapa à corrupção dos devaneios, nem aos quereres disfarçados de misericórdia. E quando tocamos o fundo do poço, o destino se vira. Não é retorno — é travessia ao seu oposto. Basta ao homem um único suspiro, antes que, por um beijo, ele se perca no doce e irremediável devaneio.

Cântico da Vida Persistente

Mas o que seria eterno, senão a ilusão? Tudo é passageiro, neblina e chão. O início? Apenas um fim disfarçado, Com hora marcada, destino traçado. Pensamos ter o tempo em nossas mãos, Mas ele escapa como grãos vãos. A consciência revela — o fim não cessa, É um contínuo ciclo, que nunca adormece. O amor, semente em solo profundo, Persiste, molda-se ao giro do mundo. Mas as relações, frágeis como o vento, Nem sempre resistem ao esquecimento. Se o amor se curva ao tempo que gira, Pode o homem perder sua própria mira. E resta, então, a única certeza: A vida, em sua eterna natureza. Pois mesmo quando cessa o respirar, Ou as folhas se recusam a dançar, A vida segue, em forma ou em ausência, Persevera além da consciência. A vida é sopro que se eterniza, Movimento sutil que se imortaliza. É o que há no instante contido, Na eternidade de um gesto vivido.

Cântico da Queda das Formas

Tudo que existe, um dia se desfaz, Deixa a moldura, rui o que era paz. A forma antiga, outrora imponente, Transforma-se em sombra, silêncio latente. Eterna é a dança da transmutação, Onde até deuses perdem o trono e a mão. O que se ergue em glória, em glória desce, E o que domina, ao pó enfim regresse. O "eu" que brada ser mais que outro ser, Perde sua voz ao se desfazer. A máscara cai, a carne se curva, O tempo consome, a essência turva. O orgulho — chama breve do vazio — Arde, depois sucumbe ao próprio frio. O narcisismo, espelho de ilusão, Estilhaça ao toque da mutação. Potências vastas, reinos sem medida, Não escapam à queda já contida. Tudo que sobe, a Terra há de chamar, E ao ventre antigo há de retornar. Nada há de eterno, salvo o momento Em que se move o eterno movimento. Não o que é fixo, mas o que se esvai É que revela o que de fato vai.

Quem é você na minha vida?

     Ou melhor: quem são essas pessoas que aparecem em nossas vidas e fazem morada? É complicado querer explicar. Talvez seja melhor considerar que são como fotografias — lindas, em sua melhor expressão. Não por serem perfeitas ou repletas de filtros, mas por registrarem momentos únicos e, por isso, serem também únicas.      Muitas vezes levamos um solavanco na caminhada. Então, voltamos, olhamos as memórias… e encontramos pessoas como você na minha vida. Pessoas que me fazem acreditar, mesmo quando sinto que cheguei ao limite. Pessoas que me mostram que até a distância pode dar um motivo e um sentido para toda a saudade.      Uma mulher me levou ao amor pela vida a um patamar que eu nem sabia que poderia me permitir alcançar. Considerando toda a minha falta de atenção aos detalhes e ao reconhecimento, foram noites — entre tantas noites — em que ela me esperava só para, mesmo que por um breve momento, ouvir a minha voz. E, de maneira carinh...