Ao Destino
Em um mundo em que não controlamos nem mesmo o que desejamos — onde tudo o que imaginamos querer não deixa de ser um mero impulso de sobrevivência — podemos considerar que é uma confusão querer existir. Não há motivo para a vida, nem mesmo algo realmente valioso que nos faça continuar, a não ser a ideia de que desistir seja uma resposta muito singela a tudo isso. Mesmo considerando o destino um conjunto de acasos sem a menor sincronia, é preciso abraçar a ideia dos inúmeros mundos possíveis que criamos a cada escolha.
Viajar pelo mundo, ir ao espaço, quem sabe até recitar um belo poema. Na verdade, o destino tornou-se um mundo desconhecido para o sujeito: por mais que ele possa imaginar possibilidades, meu caro amigo, nada disso é eternamente verídico. Os lapsos do tempo em que vivemos são somente uma pequena consequência evolutiva que, no melhor dos casos, faz com que desejemos muitas coisas, busquemos relações e choremos pela falta de quem amamos.
A repetição contínua é um caos: atordoa o íntimo, mas não tanto quanto um coração cheio de sentimentos reprimidos. Quem considerou o certo ou o errado? Quem, em sua livre consciência, quis distanciar a vida da morte? O excitante da vida é o seu fim; a diversão do destino é a escassez de certezas. Pode parecer loucura, mas a verdadeira fé é testada na inconsistência.
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