QUAL O VALOR DA VIDA?

     O pensamento estruturado consiste em uma sequência de acontecimentos lógicos, em que enquanto liga-se um fator a outro, ocorre respetivamente uma consequência ‘inesperada’. Deste modo, como saber se a ação escolhida é válida, se o resultado é uma soma de possibilidades? Toda sequência consiste em debruçar-se nos limites do equilíbrio, do possível, entre as inúmeras realidades a serem formadas, quem escolhe o dia do nascimento ou o momento que irá morrer?  

A morte é a certeza do fim da consciência, um acontecimento que está na sala de espera do indivíduo. O ato de morrer pode ser realizado em consciência de heroísmo, ou seja, levado pela entrega pessoal, pelo sangue, que consequentemente gera um impacto, dando a vida menos significado do que a morte por sacrifício. 

 A vida é um mar de dor e sofrimento, composta por breves momentos de felicidade, entre o querer e o poder, e o possuir mostra as faces da miséria humana, levando a pergunta: qual indivíduo consegue suportar a ignorância da própria existência, onde tudo que acredita e apoia-se dogmaticamente não passa de pó estelar? Nada pode fazer um homem para ser lembrado eternamente, sua memória permanece o tempo em que a espécie humana existir, podendo ser por séculos, milênios, mas terá fim como tudo que já morreu.  

O tempo quando acelerado mostra claramente a limitação do homem, os dias que pensa viver são breves sopros da vida, não há nada que permaneça puro por muito tempo, não há pensamento que seja verdadeiro sem que possa ser refutado, ou seja, quem é rico desconhece o sofrimento do pobre, ou até mesmo a constante desenraização que se encontra no trabalho operariado. O pobre não percebe a falsa felicidade de quem consome imagens de mercado. Toda superficialidade faz com que haja distância das relações reais entre pessoas, construindo feudos sociais nos breves lapsos de tempo e tudo passa a ser uma sequência de números, que vêm e vão numa velocidade que desconhece quem o vive, soma-se uma ação à outra, de modo que desconheça o mundo que é.  

O tempo vincula-se com o dinheiro, dando a roupagem do homem, o qual determina a continuidade do processo da vida, seja em um estilo de vida burguesa ou miserável. Dia a dia em uma pequena porcentagem, vende o tempo para a subsistência, a qual, ao comprar um produto compromete-se um valor de vida, como um cão domesticado, o indivíduo prende-se ao comercial, que lhe introduz em um sistema de consumo, dando a necessidade de bens materiais. A continuidade nesta roda de Ixión constrói uma rede que aprisiona e dá segurança, de modo que realizar os mesmos atos e gestos, como costumes contínuos dá a sensação de pertença ao mundo que está morrendo. Fazemos o que conseguimos no tempo que nos é possível realizar, trabalhar, estudar, etc. Tudo faz parte de um sistema fechado em um conjunto contínuo de ações pensáveis, e por vezes diferenciados da realidade, de maneira, que aquilo que se encontra em devaneio é a doença que só existe para os livres, com tempo para o tratamento. 

A vida tornou-se tempo, este por sua vez possível de ser vendido e valorizado segundo a especialização. Quanto mais especialista, mais rentabilidade e menos enraizamento. O capitalismo torna a vida uma venda de tempo, que ignora a existência, de modo que, quem a vive nem sabe o que é. Feliz o homem que encontra na morte seu alívio, essa qual ninguém a pode tirar, sem que seu sangue não tenha valor de moeda. Observar o ciclo da vida, permite considerar em longa escala o sistema que oprime no seio familiar e trasborda no social, um sistema de pão e circo que tranquiliza a revolta, mas nada faz de valoroso, pois, nada é livre de vínculo de opressão, desde a vida ao tempo, que é o encontro com a morte diária.  

Em meio ao término imanente da vida, se constrói discursos em meio ao tempo que se limita de maneira a questionar: quem tem a razão ou a verdade? quem está mentindo? Toda fala sempre se centraliza em uma ideia principal, a partir dela estrutura-se as demais ideias, às quais se sobrepõem a mesma, dando a fala uma consistência por meio de uma sequência de palavras, que reproduzem inúmeras vezes que nos sentimentos não há razão. Por fim, todo aquele que considerar ter as certezas necessárias para um discurso, ao começar a falar, chegará ao limite de suas sentenças, e por conseguinte nada poderá fazer então, de fato, somente há crítica permite pensar e negar os padrões já dispostos aos indivíduos, que por vezes os sufocam, pois, estes se tornam frutos imanentes de seus padrões morais. 


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