CRÍTICA A ESTIGMATIZAÇÃO DAS IDEIAS
A noção é a estruturação da compreensão de algo produzido por uma realidade cultural que estigmatiza, fundamenta a visão simbólica do grupo naquele espaço/tempo em que se configura como sendo a imagem do ideal. Neste idealismo a moralidade constitui-se dando um rosto a uma subjetivação da realidade, que se torna aceita pela maioria; nesta edificação do saber uma determinada conduta está dentro dos padrões a serem considerados moralmente válidos. Sendo assim as ideias frutas da realidade abstraída pela consciência, são as normas éticas qualificadas na cultura em um padrão social, diante da noção estabelecida padrões caracterizam o indivíduo. Como determina então uma normalidade ou patologia/‘loucura’? O fato é inconsistente! Para onde ir, o que fazer, e por que para fazer o que é condicionado para que ser?
As doenças psicológicas da atualidade são a expressão do tumor que se espalha pela sociedade, pois, as instituições que antes solidificavam os pilares da verdade e do conhecimento, encontram-se diante de sua envergadura constitucional, falíveis ao descrédito, ou seja, os dogmas metafísicos que sustentavam o imaginário coletivo, e os colocavam diante de uma camisa de força, agora encontram-se desmoralizados. A pós-modernidade, com os avanços na técnica e nos estudos da linguagem (exemplos de avanços do pensamento), mostram claramente às compreensões, neste caso como a da loucura como sendo um produto dos olhos de quem vê, nos ouvidos de quem fala e nas palavras de quem só sabe perceber seu próprio umbigo, portanto pondo em questão quem são os normais e qual o preso por viver em meio anormais? O peso da liberdade social “pode se tornar tão repressora quanto a repressão direta”, ao ponto de como diz, Nietzche, que “só quem traz o caos dentro de si pode dar a luz estrela bailarina.”
O que estigmatiza uma pessoa na cultural atual, onde encontrasse na população em massa sua expressão? A cultura forma a conduta pessoal do indivíduo, ele forma-se com as características que essa conduta técnico moralista o absorve e formula seu imaginário, considerando que “o aparecimento de qualquer sistema de conhecimento está sempre relacionada com uma modificação no poder”, noções de realidade determinam-se com o campo de visão que seja abordada por este. As ideias vão produzindo uma falsa conduta moralizante, ou seja, aquilo que se considera como verdade indubitável mostra claramente o pensamento considerado certo. A questão está centrada no discurso que permeia de modo indelével a compreensão do mundo, nas “episteme[s] [que] determina[m] os limites e experiência do período, a extensão de seu conhecimento e até sua noção de verdade. uma determinada episteme entendeu originar uma determinada forma de conhecimento”.
A loucura torna-se um produto do discurso que o fomenta considerando aquilo que seja a não-razão a postura de um doido, insensato que deve ser retirado do convívio social, ou ser questionado a voltar ao padrão. Os pensamentos são a fonte da loucura e da sanidade, isto é, não há loucos, então o que os produz? Contudo, “al loco no se le puede negar ni razón ni entendimento. Los locos hablan y percebem y a veces discurren con mucha lógica; también Suelen compreender el presente con perfecta exactitud y percibir la relación entre la causa y el efecta”, estas quais não veem o maluco como um marginalizado, mas, como um expoente de uma singularidade. Sendo assim, com uma singularidade em ruinas, em que uma sociedade se torna produto de uma massa, “la mentalidade del loco tiene de comum con la del animal que ambas están limitadas al presente”, mostra-se como uma via de manter-se em uma sanidade medicada, tomando ’pirulas’ paliativas que são vendidas todos as manhãs nos comerciais.
De tal modo, “?Quién podría atajar el delírio de un loco? Frequentemente, los hombres, al escuchar palabras huecas suelen tomarlas por graves pensamientos”, isso considera que a tolice do homem ao purgar o outro, na incapacidade de purifica suas próprias ideias, acaba por sucumbir ao mercado, que vende arquétipos sem profundidade, que são aceitas sem crítica pela pessoa, qual é o peso de uma ideia? A forma é como mandamento, por meio dela, pode se conduzir e se condenar a uma civilização, que da o norte do conhecimento, e a clareza do certo, com o peso do sangue daqueles que não a aceitam. A moralidade forma-se por meio desta verdade, que
i en efecto, no han faltado los moralistas consecuentes que pedían que el hombre fuese diferente, esto es, virtuoso, trasunto fiel de ellos, vale decir, estrecho y mezquino; !para tal fin negaban el mundo! !Una máxima locura, por certo! !Una inmodestia nada modesta, por certo!.. La moral, en tanto que condena por principio y supone un no com referencia a cosas, factores o propósito de la vida, es um error específico com el cual no hay que tener contemplaciones, uma idiossincrasia de degenerados qué há hecho um daño inmenso...
Ao constituir pessoas virtuosas, se dá ao mesmo tempo o indigno, este um louco, que no sofrimento, está diante do sentimento da culpa, que moralmente transforma a consciência em um juiz que aprisiona a liberdade, tornando-se arbitrário a contrário o moral constituinte. “En tempos así, el arte tiene derecho a la locura pura, como uma espécie de vacaciones para el espíritu, el ingenio y el animo”.
Será o conjunto da sociedade o que provoca a loucura, ou o louco é o produto dos sensatos. “? Qué es lo que, em definitiva, se quiere? Si se intenta um fin, hay que procurar tambíen los médios conducentes a su logro; si se quiere esclavos es una locura educarlos para amos”. Aquilo que absorve produz o resultado daquilo que se pensa, não se pode falar de determinado assunto se o campo de visão é contrário ao que se compreender, portanto, “eso significa para él: demostrar. Volver loco a uno-eso significa para el: convencer. Y la sangre es para él el mejor de los argumentos”. O resultado da cultura de massa é a resposta a doença da ideia estigmatizada, que prende nos sentimentos de vontade a sabedoria e a liberdade, tudo que se tem é sacrificado para o convívio social e muito mais para considerar-se aceito neste, “pero es mojor estos loco de felicidade que estar lo de infelicidade, es mejor bailar torpemente que caminhar cojeando”.
A noção é estruturação da compreensão de algo produzido por uma realidade cultural que estigmatiza, pois, “Cada sociedade possui o seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade: ou seja, os tipos de discurso que aceita e faz funcionar como verdade”. Deste modo, poli edifica uma determinada conduta considerando-a moralmente considerável, dando “uma episteme é a estrutura de pensamento que simboliza o pensamento de uma determinação época. É a rede subterrânea de pressupostos e processos de pensamentos, a ‘tendência’, que limita o pensamento científico, filosófico e cultural de uma época”. Sendo as ideias frutos da realidade abstraída pela consciência, as normas éticas qualificam-se com a cultura em seu padrão.
Conclui-se que de tal modo “uma episteme é a estrutura de pensamento que simboliza o pensamento de uma determinação época. É a rede subterrânea de pressupostos e processos de pensamentos, a ‘tendência’, que limita o pensamento científico, filosófico e cultural de uma época”. A construção de um discurso, solidifica a moral, dando a essa uma imagem idealizada, um padrão a ser ético normativo, pois, em “cada sociedade possui o seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade: ou seja, os tipos de discurso que aceita e faz funcionar como verdade”. A relatividade contraria o sujeito em suas particularidades é padrão tornar-se uma ‘episteme’ da realidade submetida a uma realidade.
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